segunda-feira, 21 de agosto de 2017

GOSTO DO FRACASSO E A PICADA


Ontem fracassei novamente e ainda sinto o gosto amargo disso. Como se não bastasse, amanheci recebendo palavras duras, atestando que não serei aceita no caminho que estava querendo seguir, o que acentuou mais o gosto do fracasso. 
Por qual caminho seguir então? 
Lembro do professor Sevcenko, pensando a partir de Heidegger : Se recusar a estrada sinalizada e abrir uma picada na mata, encontrará coisas originais, mesmo que machuque e doa insuportavelmente.
 E como dói. 
E lembro que Rosa desenhou uma linda Rosa dos Ventos colorida a lápis de cor em em um de seus cadernos (não é essa da imagem, a dele está está na página 150 da minha tese) . 
Tomei banho e pensei que se estou viva, deve existir um rumo e ele virá todo colorido. Ainda hei de achar meu Diadorim 

domingo, 20 de agosto de 2017

Miss Brasil 2017 é negra!


" ... uma linda dama negra
a rainha do samba
A MAIS BELA DA FESTA
a dona da feira 
UMA FIEL REPRESENTANTE BRASILEIRA " Jorge Ben

Representante do estado do Piauí, Monalysa Alcântara,foi eleita Miss Brasil 2017. É a terceira negra eleita a mulher mais bela do país. 


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Sobre os homens negros


Refiro-me ao texto O mal estar da masculinidade negra contemporânea, do sociólogo  Henrique Restier da Costa Souza e publicado na Carta Capital.

Porque o tema muito me interessa em diversos aspectos (eu venho refletindo muito sobre isso e já tenho até algumas ideias próprias a respeito), li este texto, escrito por um negro para homens negros, com atenção e, de fora, ia compreendendo e até concordando com que estava sendo dito. Algumas vezes, ia pensando "isso também acontece com a mulher negra" (especialmente a parte super valorização da imagem sexualizada do corpo negro, que deveria seguir certos esteriótipos, enfim)". Em algum momento o autor do texto refere-se a uma espécie de ideal de homem negro construído simbolica e historicamente e que tantas vezes é opressor, e sua existência, claro, conta com a participação e legitimação da mulher branca ou negra. Pois é. Infelizmente concordo com isso, mas acrescento que mais ou menos o mesmo acontece com a mulher negra... enfim.

Fiz uma auto crítica e passei a refletir sobre os motivos dos meus interesses em homens negros. Logo concluí que não são sexuais ou mesmo estéticos (embora os ache lindos, é verdade, mas isso é só um detalhe, para isso bastaria olhá-los, não justifica o desejo de estar cada vez mais perto deles). É que, até hoje,  apenas eles foram capazes de despertar em mim  um outro sentimento de ternura, uma espécie calorosa de identificação, de compreensão, de complementação, de pertencimento a algo. É um prazer de estar no mundo. 

Mas sei, também, como é dolorido ouvir um homem negro, pois "a tristeza é senhora, desde que o samba é samba é assim". E também dói em mim essa dor, de alguma forma. Vou continuar refletindo sobre isso, por enquanto...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Sobre o cancioneiro de Ben



"... Quanto mais eu ouvia Jorge Ben, mais eu percebia que sua música é capaz de induzir a um determinado estado de espírito: um estado de plenitude e força, capaz de inspirar uma atitude altiva perante a vida. Não por acaso sua lira é recheada de incríveis heróis, obstinados e orgulhosos guerreiros. Seja qual for o tema tratado em suas canções, parece sempre haver uma voz de fundo, meio gaiata, gritando surdamente, "ME GUSTA MUCHO VIVER!", como no final do Jazz Potatoes. " Paulo da Costa e Silva In: "A Táboa de Esmeralda", p 10-1.

 Acho que é bem isso, mesmo! Só acrescentaria um detalhe ao trecho, quando ele diz que a música de Ben é " recheada de incríveis heróis, obstinados e orgulhosos guerreiros", caberia dizer que isso também inclui guerreiras e heroínas e que, em sua maioria, eles e elas são belos e negros. Até onde eu eu sei, não existe em nosso cancioneiro, uma coleção de hinos que exalta tão lindamente essas figuras; Salve Jorge! Viva, viva, viva Jorge!

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

EXPOSIÇÃO "CRIANÇAS NA LÍNGUA"


Caros colegas

Na próxima semana realizaremos, na UNIFESP-Guarulhos, a Exposição "A criança na língua: passo a passo", que contará com visitas livres, visitas guiadas e um ciclo de conferências sobre a entrada da criança na linguagem. Serão abordados vários temas, como a aquisição monolíngue e bilíngue, aquisição da escrita, multimodalidade, humor na infância, entre outros.
Envio o cartaz de divulgação e a programação, que também pode ser acessada pelo link https://acriancanalinguapassoapasso.wordpress.com/ .
Peço que compartilhem com os demais colegas. 

Abs
Rosângela Nogarini Hilário (UNIFESP-Guarulhos)

domingo, 13 de agosto de 2017

Possibilidade e impossibilidade de narrar a História

Samuel, 9, Zuleide, 4, Ernesto Carlos, 2, e Luiz Carlos, 6, com a “tia” Tercina em foto de junho de 1970 encontrada nos arquivos do Serviço Nacional de Informações. Fichadas como “subversivas”, as crianças foram fotografadas no doi-Codi do Rio de Janeiro antes de serem mandadas para a Argélia com outros 40 presos políticos trocados pelo embaixador alemão sequestrado naquele ano.(FONTE http://revistazum.com.br/revista-zum-3/infancia-banida/)
Não sei por qual motivo, tive acesso e li essa reportagem esta manhã. Ai fiquei pensando sobre as dificuldade de narrar.Que o Brasil vive intenso retrocesso é evidente em todos os níveis. Eu, como historiadora, sinto melhor como isso acontece na possibilidade/impossibilidade de narrar.
Sempre relato que durante minha graduação em História (1999-2003) não era comum se falar no período da recente Ditadura civil-militar, e eu entendia que isso acontecia por muitos motivos como: os arquivos que sustentariam as pesquisas estavam bloqueados; os possíveis relatos ou depoimentos vinham carregados de diversas camadas de trauma, o que dificultaria sua análise; tudo era era muito recente e os envolvidos ainda viviam e era interessante anular essa narrativa por tempo indeterminado;e muitos outros motivos.
Mas nos anos 2000, enquanto esse episódio ainda espinhoso da nossa História continuava tabu, alguma especie de resgate dessa possibilidade de narrar começou a aparecer quando os arquivos foram abertos pela lei do Direito a Informação e isso permitiu que pesquisas fossem feitas;uma ex militante foi eleita presidenta; instauro-se a Comissão Nacional da Verdade que embora tenha sido aceita com a condição de não anulação da Lei da Anistia de 1979 e portanto não previa a punição dos envolvidos (o que é um absurdo insustentável, mas a gente vai fazendo o possível para não deixar de fazer, sabe?), mas ela nos forneceu acesso à maior quantidade de informações sobre o período até agora alcançado. Era possível pesquisar e narrar aquele período.
Hoje, quando estamos em meio a outro golpe de Estado e no meio de um retrocesso sem fim, eu já não vejo essa possibilidade. Lamentável. Essa matéria que postei acima é de 2013, o período mais fértil para as pesquisas históricas sobre o tema e lendo o texto, relembrando os vídeos e as histórias nele citados (que conheci através do material de divulgação da Comissão da Verdade), reflito sobre o fato de termos voltado à situação da impossibilidade de narrar neste país, o que torna a minha profissão de historiadora ainda mais difícil e valiosa e minha boca muito amarga.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Futebol na música de Jorge Ben



"TROCA TROCA”, provavelmente a única música que tem um dirigente de clube como personagem central.No caso, o cartola era FRANCISCO HORTA, que na época presidiu o FLUMINENSE e causou uma revolução no futebol carioca ao estimular a troca de jogadores entre os grandes clubes do RIO, em vez de contratações milionárias." 
(FONTE  : http://wp.clicrbs.com.br/futebolnopaisdamusica/2014/10/15/o-troca-troca-de-jorge-ben-jor/?topo=52)