domingo, 19 de novembro de 2017

"Pletora de alegria Um show de Jorge Ben Jor" Caetano Veloso

Sexta feira dia 17 de novembro realizei um dos meus três desejos para o ano de 2017: Fui a um show de Jorge Ben no Espaço das Américas. E fui uniformizada, porque fã é um saco! kkkk Antes teve o show do Criolo, que também foi lindo, mas desse u falo depois, agora é só o Jorge. Eu, que duvidava que ELE viesse para eu assistir, veio e foi delicioso , como nas palavras de Caetano: pletora de alegria! Em um momento, eu disse Eu : Não estou acreditando que o Jorge Ben está tocando guitarra em Mais que Nada, bem na minha frente! Larissa, ao meu lado, : Mas ele está! MORRI!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A semântica da nobreza negra de Jorge Ben


Lembra aquela história de que a  nobreza negra em Jorge Ben está cantada em pequenos detalhes quase que  imperceptíveis? Então...

Eis que me aparece Umbabarauma, o ponta de lança decidido:

Ai, quando ele canta junto com o Mano Brown narrando um gol do Serginho Chulapa pelo Santos , temos o ponta de lança negro em ação:  vários significados, toda uma mitologia ... a semântica de Jorge é um tesouro! <3 font="">

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

PRIMEIROS DISCOS


Quando assisti ao curso do Ivan Vilela (professor de Canção Popular na ECA/USP) lembro dele comentar, sobre o fantástico A Página do Relâmpago Elétrico do Beto Guedes, que, geralmente, vale a pena prestar atenção nos primeiros discos dos artistas, porque eles costumam concentrar muita energia, tempo e expectativa até que ele finalmente viesse a existir. Quando eu ouço Samba Esquema Novo do Jorge Ben, que foi o seu primeiro e, se duvidar, continua sendo a gravação dele que mais ouço por completo, penso : UAU!

domingo, 12 de novembro de 2017

"I heard it through the grapevine", uma música para a Motown Records


Uma das melhores canções da história da black music, sem dúvidas,  é  "I heard it through the grapevine", imortalizada na versão sexy de Marvin Gaye, que a gravou em 1968.
Mas ontem ouvi uma gravação dela de mais de 10 minutos, um rock delicioso do Creedence, o que levou alguém a me jurar que essa seria a original.De responsa esse som:


Mesmo que eu prefira  a sensualidade do Marvin Gaye, claro...
Ai fui ler sobre a música na Wikipédia e descobri  que, na verdade, esta não foi a versão original da canção composta exclusivamente para a Motown Records em 1966, e por isso, inicialmente ela  foi gravada por vários de seus artistas, dentre os quais a versão clássica é de Marvin Gaye . A primeira gravação teria sido essa, com 

Smokey Robinson & The Miracles, em 1966


Mas como a música é realmente muito boa e a gravação do Marvin Gaye é sensacional, outros artistas tentaram desconstruí-la, dai que em  1970, surge essa gravação do linda Creedence.
Eu gosto muito dessa música, e vocês?

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

E se Van Gogh visitasse uma exposição de seus quadros em 2010?

Um grande amigo meu, sabendo da minha paixão por Van Gogh,  me marcou nesse vídeo no Facebook e eu achei a coisa mais linda! Adorei mesmo! Eu acho exatamente isso que o critico disse de Van Gogh: É o melhor por muitos motivos, mas especialmente porque para retratar a dor a transformou em beleza imensa e poucos souberam fazer isso. Outro que também é assim é o Guimarães Rosa, que conta as histórias mais terríveis, mas sempre encharcadas de lirismo... enfim.


(Retirado de um dos capítulo de Doctor Who)

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Racionais MC's no ENEM 2017


Surpreendendo muita gente, uma das questões do ENEM 2017 problematizava uma música dos Racionais MC's. Fim de Semana no Parque é talvez a música mais conhecida dos Racionais e hoje eu ainda me pergunto como foi que eles conseguiram tocar tanto no rádio (sim, no fim dos anos 1990 se ouvia rádio) e essa popularidade com essa música tão não comercial, tão questionadora, tão difícil de ouvir  ? Acho um fenômeno ainda sem explicação. É como se houvesse uma força da natureza que dissesse que todo mundo ia ouvir e gravar na memória esse som que  "ninguém gosta". E que é assim mesmo, não é feito para agradar.
Já faz tempo que os grandes processos seletivos como vestibular e ENEM abordam a canção popular no Brasil, não é para menos, afinal essa é quase uma instituição nacional e seria muito mais dificil do que já é entender esse país sem passar por ela. Mas agora falamos de outra coisa, bem diferente: Não se trata mais apenas de problematizar a "instituição" canção no Brasil, aliás é muito ao contrário disso: Vamos problematizar também esse retorno propositadamente difícil de ouvir, como diz ESTE TEXTO  marcante de Maria Rita Kehl é cheio de consoantes que pipocam no ouvido como tiros de balas, sem tantas vogais melódicas com as quais sempre  adoramos nos identificar. Acho um marco, quase tão inexplicável quanto o fato de lembrar que quem era  adolescente na época e que não ouvia RAP como eu, ainda saberem  de cor Fim de Semana no Parque, mais de vinte anos depois.
 Ano passado se falou muito do Nobel de literatura ganho por Bob Dylan por suas canções e passou-se a perguntar que se  agora canção também é literatura, quem devia ganhar no Brasil? Ai surgiam aqueles nomes de sempre Chico Buarque, Cartola, Tom Jobim, etc...todos esses que já aparecem nas provas, com toda a legitimidade. Me lembro bem que eu  e poucas pessoas  dissemos na lata: Mano Brown devia ganhar! Sim, Mano Brown dos racionais mesmo (não aquele delicioso de Boogie Naipe e black music) ! Pensei no Brown justamente porque aquilo que ele faz  é música, mas não é canção, é o seu oposto, é um texto que canta não mais lirismo, mas sons  duros e  quase impossíveis de escutar , acessa locais não muito doces, incomoda e literalmente joga na nossa cara tudo que a gente rejeita mas também é o que somos como brasileiros, por isso precisamos escutar e guardar. Acho arrepiante a força que isso tem. Este também é o  som da resistência dos  negros no Brasil atualmente e também é o que somos, apesar do quão difícil é reconhecemos isso!   



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

História africana sobre a criação do mundo


Ilustração de Valéria Saraiva, para o livro
 Bruna e a galinha d'angola, de Gercilga de Ameida

"- Vó, por que a Conquém (galinha d'angola) está junto com o pombo e o lagarto neste panô?
-Bruna, minha querida,conta a lenda da minha aldeia africana que estes foram animais que vieram ajudar a Conquém na criação do mundo e de meu povo. Conquém espalhou a terra quando desceu do céu para a Terra, o lagarto desceu para ver se a terra estava firme e o pombo foi avisar aos outros animais que já podiam descer para habitar naquele lugar. Esta é a história da criação do mundo que minha avó já me contava enquanto eu pintava panôs como este." 
Gercilga de Ameida no livro "Bruna e a galinha d'angola" (Rio de Janeiro, EDC e Pallas Editora, 2011)