terça-feira, 21 de novembro de 2017

ORGULHO NEGRO E JORGE BEN

No fim de semana teve a festa Primavera eu te amo, na Casa das Caldeiras, super alto astral.

Nesta festa estavam  vendendo vinis.  Eu nem tenho vitrola, mesmo assim dei uma olhada e encontrei esse álbum original do Jorge Ben 
O Bidú  -silêncio no Brooklin  (1967)

Ai eu  peguei o disco e perguntei  quando custava, porque este é um dos albuns do Jorge que eu mais ouço e para mim esse álbum não tinha preço... Então  o  vendedor, negro como nós, respondeu todo emocionado algo assim :
"Para mim Jorge Ben também não tem preço."
E me mostrando fotos no celular, completou: 
"Eu estive lá no show dele na sexta feira, e a cada música que ele ia tocando eu ia chorando de emoção, mais e mais".
Eu me arrepiei toda nessa hora, e pensei que , ao contrário do que eu mesma supunha e que era a intenção de propagar, os negros sabem e sentem sim o tamanho da importância de Jorge Ben para a cultura negra do Brasil. 
Obrigada Jorge! Muito obrigada!

domingo, 19 de novembro de 2017

"Pletora de alegria Um show de Jorge Ben Jor" Caetano Veloso

Sexta feira dia 17 de novembro realizei um dos meus três desejos para o ano de 2017: Fui a um show de Jorge Ben no Espaço das Américas. E fui uniformizada, porque fã é um saco! kkkk Antes teve o show do Criolo, que também foi lindo, mas desse u falo depois, agora é só o Jorge. Eu, que duvidava que ELE viesse para eu assistir, veio e foi delicioso , como nas palavras de Caetano: pletora de alegria! Em um momento, eu disse Eu : Não estou acreditando que o Jorge Ben está tocando guitarra em Mais que Nada, bem na minha frente! Larissa, ao meu lado, : Mas ele está! MORRI!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A semântica da nobreza negra de Jorge Ben


Lembra aquela história de que a  nobreza negra em Jorge Ben está cantada em pequenos detalhes quase que  imperceptíveis? Então...

Eis que me aparece Umbabarauma, o ponta de lança decidido:

Ai, quando ele canta junto com o Mano Brown narrando um gol do Serginho Chulapa pelo Santos , temos o ponta de lança negro em ação:  vários significados, toda uma mitologia ... a semântica de Jorge é um tesouro! <3 font="">

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

PRIMEIROS DISCOS


Quando assisti ao curso do Ivan Vilela (professor de Canção Popular na ECA/USP) lembro dele comentar, sobre o fantástico A Página do Relâmpago Elétrico do Beto Guedes, que, geralmente, vale a pena prestar atenção nos primeiros discos dos artistas, porque eles costumam concentrar muita energia, tempo e expectativa até que ele finalmente viesse a existir. Quando eu ouço Samba Esquema Novo do Jorge Ben, que foi o seu primeiro e, se duvidar, continua sendo a gravação dele que mais ouço por completo, penso : UAU!

domingo, 12 de novembro de 2017

"I heard it through the grapevine", uma música para a Motown Records


Uma das melhores canções da história da black music, sem dúvidas,  é  "I heard it through the grapevine", imortalizada na versão sexy de Marvin Gaye, que a gravou em 1968.
Mas ontem ouvi uma gravação dela de mais de 10 minutos, um rock delicioso do Creedence, o que levou alguém a me jurar que essa seria a original.De responsa esse som:


Mesmo que eu prefira  a sensualidade do Marvin Gaye, claro...
Ai fui ler sobre a música na Wikipédia e descobri  que, na verdade, esta não foi a versão original da canção composta exclusivamente para a Motown Records em 1966, e por isso, inicialmente ela  foi gravada por vários de seus artistas, dentre os quais a versão clássica é de Marvin Gaye . A primeira gravação teria sido essa, com 

Smokey Robinson & The Miracles, em 1966


Mas como a música é realmente muito boa e a gravação do Marvin Gaye é sensacional, outros artistas tentaram desconstruí-la, dai que em  1970, surge essa gravação do linda Creedence.
Eu gosto muito dessa música, e vocês?

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

E se Van Gogh visitasse uma exposição de seus quadros em 2010?

Um grande amigo meu, sabendo da minha paixão por Van Gogh,  me marcou nesse vídeo no Facebook e eu achei a coisa mais linda! Adorei mesmo! Eu acho exatamente isso que o critico disse de Van Gogh: É o melhor por muitos motivos, mas especialmente porque para retratar a dor a transformou em beleza imensa e poucos souberam fazer isso. Outro que também é assim é o Guimarães Rosa, que conta as histórias mais terríveis, mas sempre encharcadas de lirismo... enfim.


(Retirado de um dos capítulo de Doctor Who)

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Racionais MC's no ENEM 2017


Surpreendendo muita gente, uma das questões do ENEM 2017 problematizava uma música dos Racionais MC's. Fim de Semana no Parque é talvez a música mais conhecida dos Racionais e hoje eu ainda me pergunto como foi que eles conseguiram tocar tanto no rádio (sim, no fim dos anos 1990 se ouvia rádio) e essa popularidade com essa música tão não comercial, tão questionadora, tão difícil de ouvir  ? Acho um fenômeno ainda sem explicação. É como se houvesse uma força da natureza que dissesse que todo mundo ia ouvir e gravar na memória esse som que  "ninguém gosta". E que é assim mesmo, não é feito para agradar.
Já faz tempo que os grandes processos seletivos como vestibular e ENEM abordam a canção popular no Brasil, não é para menos, afinal essa é quase uma instituição nacional e seria muito mais dificil do que já é entender esse país sem passar por ela. Mas agora falamos de outra coisa, bem diferente: Não se trata mais apenas de problematizar a "instituição" canção no Brasil, aliás é muito ao contrário disso: Vamos problematizar também esse retorno propositadamente difícil de ouvir, como diz ESTE TEXTO  marcante de Maria Rita Kehl é cheio de consoantes que pipocam no ouvido como tiros de balas, sem tantas vogais melódicas com as quais sempre  adoramos nos identificar. Acho um marco, quase tão inexplicável quanto o fato de lembrar que quem era  adolescente na época e que não ouvia RAP como eu, ainda saberem  de cor Fim de Semana no Parque, mais de vinte anos depois.
 Ano passado se falou muito do Nobel de literatura ganho por Bob Dylan por suas canções e passou-se a perguntar que se  agora canção também é literatura, quem devia ganhar no Brasil? Ai surgiam aqueles nomes de sempre Chico Buarque, Cartola, Tom Jobim, etc...todos esses que já aparecem nas provas, com toda a legitimidade. Me lembro bem que eu  e poucas pessoas  dissemos na lata: Mano Brown devia ganhar! Sim, Mano Brown dos racionais mesmo (não aquele delicioso de Boogie Naipe e black music) ! Pensei no Brown justamente porque aquilo que ele faz  é música, mas não é canção, é o seu oposto, é um texto que canta não mais lirismo, mas sons  duros e  quase impossíveis de escutar , acessa locais não muito doces, incomoda e literalmente joga na nossa cara tudo que a gente rejeita mas também é o que somos como brasileiros, por isso precisamos escutar e guardar. Acho arrepiante a força que isso tem. Este também é o  som da resistência dos  negros no Brasil atualmente e também é o que somos, apesar do quão difícil é reconhecemos isso!   



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

História africana sobre a criação do mundo


Ilustração de Valéria Saraiva, para o livro
 Bruna e a galinha d'angola, de Gercilga de Ameida

"- Vó, por que a Conquém (galinha d'angola) está junto com o pombo e o lagarto neste panô?
-Bruna, minha querida,conta a lenda da minha aldeia africana que estes foram animais que vieram ajudar a Conquém na criação do mundo e de meu povo. Conquém espalhou a terra quando desceu do céu para a Terra, o lagarto desceu para ver se a terra estava firme e o pombo foi avisar aos outros animais que já podiam descer para habitar naquele lugar. Esta é a história da criação do mundo que minha avó já me contava enquanto eu pintava panôs como este." 
Gercilga de Ameida no livro "Bruna e a galinha d'angola" (Rio de Janeiro, EDC e Pallas Editora, 2011)

sábado, 4 de novembro de 2017

Rappa Mundi, 20 anos depois


Ganhei esse disco quando completei 18 anos, há 20 anos e ouvido hoje percebo que ele  continua DEMAIS! É um disco para ouvir inteirinho, ainda agrada do começo ao fim.  Ouvindo todo eu percebendo que as críticas sociais continuam valendo tanto quando há 20 anos : a miséria da mendicância, o racismo, a violência do uso de armas... se fosse um disco lançado hoje, estaria super atual. Raridade isso!

domingo, 29 de outubro de 2017

Experiência da fé contra Intolerância religiosa



"A experiência do sagrado é uma experiência muito profunda, muito sincera, tem a ver com o sentido da vida, então quando você é limitado, quando você é violentado simplesmente por exercer a sua fé, é o seu íntimo que está sendo violentado, é a sua verdade mais profunda" Henrique Vieira (pastor e professor)


COMPARTILHE ESSA IDEIA!

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Leituras de Jessé Souza


Não vou entrar no debate a respeito do pensamento do Jessé Souza ou o seu papel como interprete do Brasil ou mesmo na História da esquerda brasileira, mas compartilho esta entrevista porque, como historiadora, acho sempre válido ler. Dela, me chamou especial atenção essa parte 
"Qual o tamanho da redução da desigualdade no Brasil durante os governos Lula e Dilma, período que você também dirigiu o IPEA ?A redução pra mim foi real, especialmente quanto aos aumentos reais do salários mínimo. Isso é que foi decisivo. E principalmente aqui no Nordeste, com o bolsa-família. Mas essas coisas, quando você só pensa no dado econômico, tornam pesquisas sempre mancas. Porque você não percebe coisas muito mais importantes. Mais importantes do que dinheiro é você abrir espaço para quebra de privilégios, romper privilégios. Por exemplo, você romper o privilégio do acesso ao ensino universitário é muito mais importante do que qualquer medição monetária dessa, porque você está abrindo espaço novo para o futuro e importante porque o conhecimento é o único capital efetivamente democratizado no contexto capitalista. E o fato do Governo do PT ter feito 400 escolas técnicas, várias universidades, aumentar de 3 para 8 milhões os estudantes, obviamente foi o motivo dele ter caído. Não tem nada a ver com corrupção. Se fosse corrupção essa classe média coxinha tinha saído agora às ruas. É óbvio, isso é método comparativo das ciências sociais. Se fosse corrupção agora, com comprovações muito mais explicitas… mas pessoas continuam soltas e a coxinhada estaria em peso nas ruas. Cientificamente não foi a corrupção. O que foi então ? Foi a redução da distância entre as classes. A corrupção é um mero pretexto."

Essa pergunta e a resposta certeira (porém dolorosa) de Jessé, evidenciando aquilo que vemos acontecer todos os dias no Brasil de Temer: a crise na educação brasileira é um projeto, como disse Ribeiro ... E foi ela, através da expansão e da facilidade de acesso ao ensino superior por classes mais baixas nos governos Lula e Dilma, que Jessé julga ter sido a responsável pelo maior esgarçamento da hierarquia social. 

É muito terrível ver que, pelo menos nessa parte, Jessé tem razão.

domingo, 15 de outubro de 2017

Os samples do Boogie Naipe

Gente, alguém já fez didaticamente o trabalho que venho tentando fazer artesanalmente desde dezembro de 2016, que é descobrir no disco solo do Mano Brown o que eu chamo de citações de canções clássicas do universo soul, da black music! Claro que esse vídeo  trata apenas de samples, e as citações vão além disso, estão nas letras, no discurso, etc, e para eu tentar  identificar  isso, tenho que ouvir muita black music, no Brasil e fora, e é uma delicia identificar porque esse disco do Brown não é brincadeira, não ... divirtam-se!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

TAREFA : Seleta de canções de Jorge Ben


Esta manhã me pediram uma lista com as 12 músicas de Jorge Ben que eu mais ouço. Tarefa difícil já que nem o melhor disco consigo escolher, então precisaria ser cirúrgica... no fim, a muito custo,  consegui uma lista 36 canções (sim, 3 vezes mais do que foi solicitado)A lista bruta , sem hierarquia, saiu assim. Nos nomes têm os links no Youtube e ao lado anotei as versões dos álbuns e a data.
Divirtam-se!

1 - Mas que nada (versão Samba Esquema Novo 1963)


2 - Zumbi/ África Brasil (versão África Brasil 1976)


3 - Umbabarauma (versão A Banda do Zé Pretinho 1978)


4 - Zagueiro (versão Solta o Pavão 1975)


5 - O telefone tocou novamente (versão Força Bruta 1970)


6 - Se segura malandro (versão Solta o Pavão 1975)


7 - Que nega é essa (versão Ben 1972)


8 - Chica Silva (versão África Brasil 1976)


9 - O homem da gravata florida (versão A tábua de esmeralda 1974)


10 - Amor De Carnaval (versão O Bidú- O Silencio No Brooklin 1967)


11- Nascimento De Um Príncipe Africano (versão O Bidú- O Silencio No Brooklin 1967)


12 -Jovem samba (versão O Bidú- O Silencio No Brooklin 1967)


13- Tôda colorida (versão O Bidú- O Silencio No Brooklin 1967)


14 - Cuidado com o Bulldog (versão Solta o Pavão 1975)


15 - O namorado da viúva (versão A tábua de esmeralda 1974)


16 – Zazueira (versão Jorge Bem Jor acústico MTV 2002)


17 -Negra zula (versão Negro é lindo 1971)


18 -W Brasil (versão Jorge Bem Jor acústico MTV 2002)


19 - Menina mulher da pele preta (versão A tábua de esmeralda 1974)


20- Quem mandou (pé na estrada) (versão Ogum Xangô 1975)


21- Jorge da Capadócia (versão Solta o Pavão 1975)


22- O vendedor de bananas (versão 10 anos depois 1973)


23 -Minha menina (versão sinlge 1968)


24 - Cadê Tereza (versão Jorge Ben 1969)


25 –Criola (versão Jorge Ben 1969)


26 -As rosas eram todas amarelas (versão Ben 1972)  


27 - A minha estrela é do oriente (versão A Banda do Zé Pretinho 1978)


28 - Amante amado (versão A Banda do Zé Pretinho 1978)


29 - A banda do Zé Pretinho (versão A Banda do Zé Pretinho 1978)


30 - Jazz Potatoes (versão Jazz potatoes – Rarity 1973)


31- Cosa Nostra (versão Single Jorge Ben e Trio Mocotó 1971)


32- Por causa de você menina (versão Samba Esquema Novo 1963)


33 - Que pena (versão Jorge Ben 1969)


34 - A tamba (versão Samba Esquema Novo 1963)


35- Ualá Ualalá (versão Samba Esquema Novo 1963)


36- Charles, anjo 45 (versão Jorge Ben 1969)

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

11 DE OUTUBRO : DIA INTERNACIONAL DA MENINA



Só agora descobri que hoje, 11 de agosto, é o DIA INTERNACIONAL DA MENINA! Adoro! Quando comecei a enveredar na pesquisa sobre História da criança (suas vivências e representações) elas se destacaram e eu cheguei a  ministrar uma palestra e escrever pelo menos dois artigo destacando as meninas na área de História Cultural -  um abordando as representações de crianças meninas nas estórias de Rosa disponível aqui, e outro sobre Ooó, a netinha mais nova de Rosa disponível aqui

Sobre o Dia Internacional da menina, lendo este verbete da Wikipédia, vi que essa coisa é super recente, coisa do século XXI mesmo, e acho super válido se comemorar não apenas o dia das crianças, mas especificamente o dia da menina (crianças do sexo feminino), porque ser menina (biológica, social e historicamente falando ) não é nem nunca foi a mesma coisa que ser menino e elas merecem sim uma atenção especial porque, além das violências e abusos sofridos pelas crianças em geral, são especificamente as meninas que ainda hoje são privadas de recursos como educação por questões religiosas (vide cado da Malala) ou são obrigadas a se casarem com homens adultos por questões culturais (diversos exemplos mundo afora), e é uma pena que a historiografia ainda engatinha nessa área. Tenho orgulho de ter contribuído com um inicial destaque para o tema.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Romaria : a canção das nossas vidas caipiras


Nessa reportagem emocionante, sentimos muito de perto o que seria a  história das nossas vidas e da nossa fé no Brasil. Na música Romaria, de Renato Teixeira encontramos uma síntese daquilo que o professor  Ivan Vilela chamou de cultura caipira e que é, também, a cultura onde eu fui criada, a dos meus pais, a da minha infância toda. Na infância, menos por influência direta dos meus pais do que por uma fé própria e incentivada por outras pessoas ao redor, tinha um pequeno altar com mini imagens de  Nossa Senhora Aparecida de metal, que nunca mais achei para vender depois, não daquele jeito, mas que ainda ficaram gravadas na minha memória e no meu sentimento.
De vez em quando, durante toda minha vida, nós viajávamos  ao santuário de  Aparecida, mas foi só quando eu fiquei muito doente e  nem conseguia ficar de pé, que meus pais me levaram para lá e eu prometi que, depois que eu ficasse bem, iria todos os anos, acender vela e agradecer. Nem todos os anos consegui ir, porque meu pai ficou doente e não podíamos nos afastar dele, mas nos últimos anos tenho voltado ao santuário e sinto cada vez mais forte a presença e a proteção de Aparecida, que é também Oxum, rodeada de dourado e ouro.  
Essa é minha história, é a minha cultura brasileira mesclada. 
Foto da Imagem no Santuário Nacional de Aparecida. Autor desconhecido


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Um espaço democrático para as crianças

Imagem do site do SESC SP
Todo mundo sabe que eu amo o Sesc Pompéia, não é ? Ontem relembrei algo que me encantava tanto quando eu fazia a tese e precisava de silêncio para estudar, então ia diariamente a Biblioteca Mário Schenberg, mas nos sábados ela fechava as 16:00 e eu ia para o SESC com meu notebook aproveitar o restinho do dia, assim como nos domingos, e então observava as crianças de verdade, interagindo entre si e brincando nesse verdadeiro espaço democrático para as crianças. Ontem,uma tarde domingo ensolarada, tinha tanta gente e, além das exposições de arte, o ESPAÇO BRINCAR estava aberto e cheio de crianças brincando, crianças diferentes, brincando juntas, na maior diversão. Esse espaço também vi (mas muito menos vezes) funcionando no Sesc Vila Mariana, e só de saber que eles existem me dá uma esperança na vida, apesar das tantas decepções <3 font="">

sábado, 7 de outubro de 2017

PENSANDO EM UMA HISTÓRIA DA CRIANÇA


Pensando em uma História da criança, que levem em conta suas vivências, narrativas, experiências e valores, achei essa citação da contracapa desse livro sublime (destaques meus) :

"Brincadeiras, bordados, avós e netos se encontram no caminho construído pela dimensão criativa, expressiva e lúdica que ultrapassa o enredamento da vida comum. Os encontros entre gerações para brincar CRIAM UM TEMPO DE SUSPENSÃO DAS AMARRAS SOCIAIS VOLTADAS PARA O UTILITARISMO E ABREM ESPAÇOS PARA A REITERAÇÃO E O EXTRAORDINÁRIO ENVOLTOS NO MISTÉRIO DO DOMÍNIO DO CONHECIMENTO E NO FASCÍNIO DO IMPROVÁVEL, NUMA TRAMA DE DIVERTIMENTO, COMICIDADE E IMAGINAÇÃO. Entre gerações, as brincadeiras preservadas na memória permitem realizar o desejo de estar juntos, explorando tessituras que confrontam o certo e o incerto, ordem e a desordem na busca do belo, mas também e muitas vezes a prazerosa repetição do mesmo. Benjamin nos ensina que as crianças (próximas aos mágicos e aos loucos), refazem a história de cada peça, pedra, toco, retalho e resto. Bordadeiras também. Brincadeiras oferecem aos avós, chances redobradas de rebordar a vida nos encontros com seus netos."

(Eloisa Acires Candal Rocha.Contracapa de EVANGELISTA, Olinda; DURAN, Olga (org). Netos e avós, memórias de brincadeiras. UEM: Maringá. 2015. Netos e avós, memórias de brincadeiras. UEM: Maringá. 2015)

Vejamos, quando netos e avós criam um tempo próprio de convivência e diversão, estão modelando o tempo, criando suas próprias Histórias, a partir do compartilhamento cultural. Para mim, que sou uma historiadora da área de Teoria, isso é precioso.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Jongo é Cultura do Brasil

"Jongo", Pedro Correia de Araújo, sem data.
Quem postou quadro sem data (mas que suponho ser século XX) esse no Facebook foi minha amiga Rosane Pavan. Coisa mais linda! Ai quando vou ao samba na Casa das Caldeiras e me emociono ao ver o pessoal super jovem cantando e dançando Caxambu, um jongo moderno do Almir Guineto
Deve ser  porque eu sou velha e ou porque sou historiadora, mas tem muito significado para mim!
Jongo é cultura do Brasil!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O Africano, de Le Clézio

No sábado eu voltei a Biblioteca Mário Schenberg na lapa para emprestar o romance O Africano, de J M G Le Clezio e me deliciar. Foi muita emoção voltar àquele lugar onde praticamente morei para escrever minha tese em 2013 e 2014. Continua sendo um lugar mágico.
Entrada da biblioteca 

Muro ao lado da entrada da  biblioteca
O livro é uma daquelas publicações lindas da Cosac Nayf que transformam o livro em uma pequena jóia, Sei também que a cada edição a aparência se transformava,então ele tem várias capas, mas a que estava disponível na biblioteca era essa:


Em relação a narrativa, ela é muito curta, pouco mais de 100 páginas, então vai dar para eu me deliciar palavra por palavra, como eu gosto e começa com essa introdução :


Sim, estava  defronte a um livro de memórias da infância, muito bem escrito. Como eu já tenho um repertório sobre esse tema, ainda nas primeiras páginas acessei as memórias de tudo que li sobre o tema, antes de mergulhar propriamente no delicioso texto de Clézio... mas de início ainda migrei nas comparações com as histórias de infância de dois personagens  meninos que eu amo: a do menino Momik, de Ver: Amor, de David Grossman e a do Menino do conto Nenhum, Nenhuma, de Guimarães Rosa.


Clézio começa falando do corpo, sua percepção nebulosa na primeira infância na Europa e a vivência mais bruta, quente e fundamental  na África, onde não era errad mostrar e tocar os corpos. 



Em um dos momentos mais poéticos ele fala do processo de esquecimento do seu corpo na Europa para que viesse a ser o corpo infantil na África. A quem interessa a temática infância, esse tipo de temática é fundamental. Tão bem escrito então, é brilhante. 



Devo voltar a comentar essa breve narrativa, como costumo fazer sempre, mas por hora acho que é só isso.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Exposição História da Leitura infantil

Organizada pelas pesquisadoras de História da Leitura Patricia Rafaini e Gabriela Pelegrino. Super recomendo aos interessados pelo tema.

domingo, 24 de setembro de 2017

show "A Tábua de Esmeralda"

...consegui estudar um pouquinho daquelas harmonias renascentistas pra botar...

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Crianças, Partimpim e Vinicius de Moraes

Partimpim (1, 2 e 3) foi o grande tema musical musical do meu trabalho com História Cultura de crianças de  2004 até 2014! No DVD do primeiro disco é apresentada uma versão musicada por Toquinho do poema O Poeta aprendiz, de Vinícius de Moraes, com essa animação ao fundo, mas que Calcanotto apresenta da seguinte forma :
Boa tarde! Tem crianças na plateia? É um prazer muito grande estar cantando aqui mais uma vez, e vocês devem achar que eu digo isso em todos os lugares, em todas as tardes, e eu digo mesmo, mas aqui é verdade! A gente vai fazer uma canção que conta a história de um menino que sonhava em se tornar poeta e ele não só sonhou em se tornar um poeta, como de fato se tornou um grande, um imenso poeta, e ele não só se tornou um imenso poeta, como modificou a maneira de se escrever poesia e de se escrever canções no Brasil, entre muitas outras coisas que ele modificou no Brasil. Só é possível que este espetáculo exista porque ele existiu. O nome dele era Vinícius, e a história dele é assim. (PARTIMPIM, 2004, 11’ 25’’ até 16’ 40’’, grifo nosso)




Viva o Vinicius de Moraes! 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ALTO ASTRAL É TUDO DE BOM

ALTO ASTRAL É TUDO DE BOM -  Preciso fazer pelo menos dois exames anualmente para controle do meu tratamento, então passei hoje por uma neurologista do meu plano que me pediu os exames. Ela não me conhecia , nem a minha história médica,  mas conversou comigo e  viu minhas ressonâncias antes de solicitar  os exames. Quando estava vindo embora ela me disse algo mais ou menos assim : "você está ótima e vai continuar assim, acho que isso se deve a esse seu sorrisão e ao alto astral que você emana, até na foto de identificação (aquelas que tiram quando a gente entra nos prédios) você está sorrindo alegre, seu alto astral  é tudo de bom!"
AIRGELA! 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A música do século XX


Na época da virada do século XX para o XXI eu ainda estava na faculdade e em uma aula do curso de História do Cotidiano fiquei sabendo que uma das listas, não me lembro mais qual, com as  melhores canções do século que findava apontou a belíssima canção dos Beatles In My life, como a mais representativa de todas.

E sobre o que ela trata?  Ela fala da história das nossas vidas, nos lugares que vivemos que podem até terem mudado, mas na nossa memória permanecerão para sempre como eram quando lá vivemos; com as pessoas que conhecemos amamos, odiamos, que se foram ou ficaram para animar esse cenários de nossas vidas.

Isso é viver a vida que se vive  para contar, sobre o que nos falava Gabriel Garcia Marquez, em sua auto biografia... 
Declamada por Sean Connery (22/12/16)
Vídeo belíssimo!