sexta-feira, 21 de julho de 2017

É uma história de Orpheu? De Sorôco? Não : é do Tim Maia!

Ilustração de Luís Jardim para a estória "Sorôco, sua mãe e sua filha", de Guimarães Rosa (1962)

Estou me aproximando do fim da biografia do Tim Maia, um grande cancionista brasileiro, mas já posso dizer que de toda ela a anedota mais bonita é essa aqui, que fala do poder aglutinador da canção, que remete ao mito de Orpheu cujo som da lira aglutiva toda a natureza, ou a chirimia  da estória de Guimarães Rosa, que era 

"a cantiga que avocava* que  era um constado de enormes diversidades desta vida, que podiam doer na gente, sem jurisprudência de motivo nem lugar, nenhum, mas pelo antes, pelo depois" (Primeiras Estórias, 1962, p. 15).
*avocar = atrair, chamar a atenção.

Aqui vai a narrativa sobre Tim:


“Tim estava popularíssimo, e foi o amor do público que o salvou quando , mais uma vez, foi detido em seu carro com substâncias tóxicas ilegais. Foi levado para o 13º. DP , no final da avenida Nossa  Senhora de Copacabana, em frente à galeria Alaska, um tradicional ponto gay carioca, com grande movimento por volta de uma da madrugada.

Ao subir as escadas da delegacia, empurrado por dois canas, Tim viu que tinha muita gente na calçada em frente e que já o haviam visto. Parou e soltou a voz:

Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar, dizer que aprendi
E na vida a gente tem que entender
Que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri

O povo começou a cantar junto, a bater palmas e gritar seu nome. Os tiras tentavam empurrar 128 quilos escada acima, mas ele não se movia nem parava de cantar. Mais gente chegava, as putas e os travestis gritavam, todos cantavam, a voz querida e poderosa de Tim Maia enchia a noite de Copacabana.

Diante da avassaladora solidariedade popular, da barulheira infernal e do adiantado da hora, o delegado reagiu com bom senso e bom humor:
“Libera o elemento”. 
(Nelson Motta. “Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia”, p.217-8) 


Jorge Ben : Objeto de estudo?

Jorge Ben é muito genial. Não paro de ouvir (com meus ouvidos treinados para musica instrumental) e ele nos oferece pequenas sinfonias! Que beleza! Afora que a gente vai descobrindo como aquela obra reverbera em tanta coisa feita na música brasileira depois, assim como o Ivan Vilela destacou sobre o Clube da Esquina ... alguém tinha que estudar o Jorge, caso consiga ficar parado para analisar, claro rsrsrs


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Começo do meu trabalho sobre o humor com criança Pedro Bloch foi em Guimarães Rosa


A primeira citação direta ao projeto de Pedro Bloch com as anedotas infantis que encontrei foi no livro de Guimarães Rosa que estudei no mestrado. Vejamos o trecho:

"Deixemos vir os pequenos em geral notáveis intérpretes, convocando-os do livro "Criança diz cada uma! ", de Pedro Bloch:
O TÚNEL. O menino cisma e pergunta: - "Por que será que sempre constroem um morro em cima dos túneis?"
TERRENO. Diante de uma casa em demolição, o menino observa: - "Olha, pai! Estão fazendo um terreno!"
O VIADUTO. A guriazinha de quatro anos olhou do alto do Viaduto do Chá, o Vale, e exclamou empolgada:
- "Mamãe! Olha! Que buraco lindo!"
A RISADA. A menina - estavam de visita a um protético - repentinamente entrou na sala, com uma
dentadura articulada, que descobrira em alguma prateleira : - "Titia! Titia! Encontrei uma risada!"
O VERDADEIRO GATO. O menino explicava ao pai a morte do bichinho: - "O gato saiu do gato, pai, só ficou o corpo do gato."

(ROSA, João Guimarães. Tutaméia: Terceiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967, p. 8-9.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Mais um parágrafo do relatório final

MAIS UM PARÁGRAFO IMPORTANTE:

"Sublinhamos a atitude de Pedro Bloch como autor, pois ele, já na década de 1960, ao assumir a criança não apenas como personagem representada em suas narrativas, mas também como sujeito coautor delas, deixando que o mirim expresse sua voz via comicidade, faz do humor uma chave para uma melhor a compreensão do fenômeno infância, contribuindo assim para o desenvolvimento de uma nova sensibilidade em relação à criança e à infância, aproximando-se do que depois Raymond Williams denominaria como nova “estrutura do sentimento” (WILLIAMS, 1977, p. 150-8), o que é de grande interesse para a História Cultural." Camila Rodrigues ""Anedotas infantis de Pedro Bloch : Narrativas de história cultural do humor e da criança (1960 - 2002" 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Reflexões sobre Jorge Ben e Samba Rock


Depois do Samba Rock Plural domingo eu voltei a ouvir Jorge Ben e, como sempre, refletir sobre tudo. 
Quando passei dias ouvindo interruptamente os álbuns do Jorge, é claro que sentia o ritmo, mas sabia muito bem porque eles me agradavam tando: satisfazem o gosto gosto pela música instrumental que eu vim construindo, ai ontem tive a experiência corporal de participar ( ou tentar) de como aquilo funciona num baile, com as pessoas dançando: sensacional e tal.


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Mas  como sou um fracasso com práticas (sou muito reflexiva), confesso que é um alento voltar a ouvir e refletira sobre a genialidade de Jorge. Até me emociono...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

DROPS do RELATÓRIO FINAL DO PÓS DOC

Seleção de anedotários bloquianos que uso como uma das  fontes de pesquisa no pós-doc em História Cultural do Humor

DROPS RELATÓRIO FINAL - Pensando historicamente nos anedotários bloquianos:

"Em relação ao conteúdo, as anedotas, além de provocarem risos ou sorrisos, elas nos desenham diversificadas faces das vivências de crianças desde a década de 1960 até o decênio de 1990 e, de forma genérica, permitem que percebamos como os mirins, e também a consideração de como o que é ser criança, foi se transformando socialmente. 
Nos primeiros volumes encontramos ditos infantis em maior quantidade, na narração de sacadas e definições, enquanto que nos publicados já às vésperas do século XXI, observamos mais interferências e reflexões do autor sobre sua trajetória como pensador do universo infantil. "

Perceber esse tipo de mudança sutil faz parte do ofício do historiador de História Cultural, especialmente a do Humor, que lida diretamente com motivações emocionais dos agentes...

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Relatório Final em imagens


Uma espécie de resumo (BEM) sintético e visual das cerca de 90 páginas de relatório:

LISTA DE FIGURAS DO RELATÓRIO FINAL

1. Foto da biblioteca bloquiana pesquisada no 1º. ano;

2. Chamada de depoimentos de ex-crianças bloquianas;
3. Detalhe de escultura em homenagem a Janusz Korczak , mostrando-o cercado de crianças;
4. Ilustração de Jordí para o livro Esses meninos de ouro (1983), com Pedro Bloch cercado de crianças;
5. Fac-símile do visto de entrada dos Bloch no Brasil em 1921, do Arquivo Nacional;
6. Tradução e interpretação do Fac-símile, por Felipe Pena;
7. Anedota "Riso", do livro O incrível humor da criança (1989), ilustração Sidney Ferreira da Silva;
8. Detalhe da capa do livro O incrível humor da criança (1989), ilustração Sidney Ferreira da Silva, mostrando crianças rindo com Pedro Bloch;
9. Capas dos 11 anedotários bloquianos tomados como fontes de pesquisa;
10. Detalhe de ilustração de Jordí para o livro Esses meninos de ouro (1983), com Pedro Bloch dialogando com um menino;
11. Detalhe de ilustração de Jordí para o livro Esses meninos de ouro (1983), com Pedro Bloch conversando com uma menina;
12. Detalhe de ilustração de Jordí para o livro Esses meninos de ouro (1983), com Pedro Bloch observando um garoto tentar acertar a boca do palhaço;
13. Foto de crianças com o palhaço Carequinha;
14. Capa do Dicionário de Humor Infantil (1998);
15. Capa do Dicionário de Anedotas infantis: de crianças para adultos (2001);

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Obrigada Ecléa Bosi

Morre a professora Ecléa Bosi

Muito obrigada, professora.

https://www.facebook.com/ProReitoriadeCulturaeExtensao/videos/1422056407815892/

domingo, 9 de julho de 2017

VOZES NEGRAS DE TIM MAIA E SANDRA SÁ


VOZES NEGRAS DE TIM MAIA E SANDRA SÁ:  "Sandra Sá era uma grande revelação de cantora, uma das raras negras, fora do universo do samba, a se destacar no mercado musical dominado por brancas, de Elis Regina a Rita Lee, de Gal Costa a Maria Bethânia, de Simone a Elba Ramalho. Mas seu  maior ídolo era Tim Maia e sua maior alegria seria ser chamada pela imprensa de "Tim Maia de saias". Talvez por isso, três anos depois do festival[que a revelou], Sandra tenha pensado que era uma brincadeira, uma pegadinha de seu amigo Júnior Mendes, quando lhe mostrou "Vale Tudo", dizendo que Tim tinha feito a música para ela. (...)O fantástico exibiu um clipe da dupla com um grupo de bailarinos em ambiente funk-punk, todo mundo de couro preto e maquiagem carregada, como punks de novela, Tim e Sandra inclusive. (Nelson Motta. "Tim Maia: Vale tudo", p.191-2)

[o trecho é mais longo, fala mais da Sandra e o amor de Tim pelo que ela representou, foi às lágrimas nesse momento da biografia ]

terça-feira, 20 de junho de 2017

Apreensão infantil e o humor


PINKER, Steven. Toca do coelho adentro. In: Do que é feito o pensamento – a língua como janela para a natureza humana. Trad. Fernanda Ravagnani. São Paulo:Cia das Letras,2008.

Neste livro, Steven Pinker escreve um capítulo excelente sobre como as crianças costumam empreender extensas explorações de linguagem e por isso analisar seu discurso pode nos ajudar a compreender sua cosmologia e, claro, gerar situação engraçadas ao empregar “o código da linguagem com segurança suficiente para entender coisas improváveis como uma vaca pulando sobre a lua e um pato fingindo com a colher, ou expressar suas percepções infantis como ‘thinkthe Wind wants to get in out of the rain” [“acho que o vento quer entrar e sair da chuva”] ou “Ioften Wonder when people pass me by do they wonder about me” [“Sempre fico pensando quando as pessoas me passam elas ficam pensando em mim] (PINKER,2008, p. 43)

[Pinker esclarece que essas apreensões infantis que utilizou foram feitas pelo escritor Lloyd L.Brown do discurso de sua filha]


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Lendo a biografia do Tim Maia ...


Enfim meu volume chegou e eu comecei a ler ontem a noite, feliz depois de uma vitória do Santos. Desde o início eu estava bem empolgada com esse livro, ler a história de um preto brasileiro genial e realmente achei a edição linda, enorme, exuberante em suas cores vibrantes e letras garrafais (como o Tim?).

Fiquei um tempão olhando as fotos,  preto e branco, marcas do tempo, que é minha matéria. Olhando só as imagens, escolhi essa aqui que, mesmo estando no fim do livro, já me passou de cara a mensagem :


Eu sabia que o problema ali era eu, que não sou lá muito fã de ler biografias (a menos que tenha sido escrita pelo talentoso escritor  Rui Castro, claro kkkk), então acabei com muita vontade de deixar o livro de lado e ouvir o soul de Tim Maia. Voltarei a ler, claro, mas agora vamos ouvir um pouco de Tim!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

SONHO DE ALICE E DEFESA

Não sei por qual motivo, depois de tantos anos, esta noite sonhei com defesa de tese. A minha tese. Era em um lugar desconhecido e eu cheguei terrivelmente atrasada, a ponto de que a primeira arguição, de um membro que eu não conhecia, já tivesse sido concluída sem a minha presença (sim, não sei a quem a banca arguiu!) e a segunda já peguei na metade (em geral ela parecia repetir a fala do primeiro professor e eu não sei bem de que tratava a MINHA tese!Não respondi nada!). Saímos para o intervalo e eu, julgando que seria melhor estabelecer 'contatinhos", me aproximei do público, cheio de jovens, para me desculpar com o primeiro arguidor pelo atraso, mas ele não pareceu se importar muito, pois estava muito entretido jogando baralho, não respondia logicamente ao que eu perguntava ! Quando acordei, cedinho, achei o sonho super Lewis Carroll - defesa, baralho, e eu querendo agir de forma lógica em um ambiente completamente nonsense- e eu pagando de Alice ! kkk

terça-feira, 13 de junho de 2017

História do Conidiano e a morte do Caio Fernando Abreu

HISTÓRIA DO COTIDIANO - Esses dias eu estava conversando com um amigo  é um jovenzinho sobre porque ouvir Legião Urbana, que eu gostava tanto - tenho todos os CDS mas nunca mais ouvi - é tão difícil para mim agora. Afora a questão de que meu gosto mudou, ouvir Legião me leva para quando eu era adolescente, entre 1995, 1996, e meu falecido irmão trabalhava no transporte de jornais e por isso, todos os dias, em casa tínhamos um exemplar de "O Estado de São Paulo" e de um outro jornal carioca, não me lembro mais qual era. Dai eu ter me tornado uma leitora frequente das crônicas do Caio Fernando Abreu, todas as quintas no OESP. E lembro, com muita dor, de ter acompanhado de perto, pelo jornal, quando ele descobriu que estava com AIDS, a mudança para o Sul para o tratamento ao lado dos pais, o tratamento e, enfim, a morte do cronista. A morte de CFA ficou registrada em mim como a ausência daquela coluna que eu lia como se fosse uma conversa com um amigo, a troca de confidências. Eu disse ao meu amigo que achava que tinha (e tenho mesmo, mas não sei onde) uma ou duas coluna recortadas do jornal na época guardadas entre meus papéis, mas que algumas delas estão publicadas no livro Pequenas Epifanias, que eu adorava, mas que tratavam de tempos muito dificeis: era a AIDS, uma grande peste que estava levando tantos embora, tantos que tinham sobrevivido à ditadura militar e sonhado com novos tempos (o que está claramente exposto no sensacional conto "Morangos Mofados", que depois analisei em um trabalho de História Contemporânea para o Nicolau Sevcenko, falando sobre o gosto meio amargo dos mofados Strawberry Fields de outrora), e que então estavam morrendo, como Cazuza, Renato Russo, Caio Fernando Abreu...quando ouço Legião Urbana hoje em dia, coisa que faço muito raramente, aquilo tudo volta de novo para mim com muita força. Não é fácil. Mas, olhando por outro lado, é uma anedota boa para se falar da História do Cotidiano, não é? Mas é mais fácil contar a história dos outros do que falar de nós mesmos, não é?

sexta-feira, 2 de junho de 2017

No Baile Black do Mano Brown e a dor do não pertencimento



Graças à gentileza de um amigo, consegui comparecer ao baile Black do Mano Brown no dia 01 de junho de 2017... com toda aquela gente preta linda, moços e moças esteticamente belos e alegres... coisa mais linda não há!


Sobre o Mano Brown é  o cara! Que porte, que discurso ...um  homem enorme, exuberante e eu confirmei o que eu pensava antes :não sou tão mulherão para encarar um cara assim, não saberia nem por onde começar...mas chama a atenção, e como chama...

Era meu sonho ir a um baile black e, claro, achei delicioso, encantador. O contato com a  cultura negra, que é parte significativa de mim,  e na qual é comum que me incluam (sem perguntar o que eu sinto, claro) e é um universo que sempre me foi negado e só na  vida adulta que fui resgatar com força  e estudar essa herança. Mas ontem fiz um teste prático e constatei que em meio a todos eles, verdadeiramente, eu também não me senti pertencendo àquilo tudo em nenhum momento.

Sou sempre uma intrusa. Não é nada fácil.

É começar a vivenciar aquela ideia do Sérgio Buarque: Aqui nesse país miscigenado, somos estrangeiros em nossa própria terra (não somos europeus, não somos indígenas, nem africanos... somos brasileiros mestiços). Isso é lindo, mas como dói.



Mas pelo menos naquela noite eu fingi pertencer àquele grupo e cantei, de coração :
"...eu fui no baile, no baile black... ", sem medo do vazio do dia seguinte.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Criança : humor e ironia



PESQUISANDO O HUMOR DAS CRIANÇAS - Estudos sobre o humor da criança são raros, nos conta a professora Alessandra Del Ré (UNESP Araraquara), mas o que ela e seu grupo de pesquisa NaLíngua, com membros brasileiros e franceses, se propõem a fazer é bastante interessante, especialmente para os estudos de humor em geral. No capítulo Diversão partilhada, humor e ironia (DEL RÉ, A; et al.,2014, p. 50) lemos sobre algumas pesquisas realizadas com algumas crianças brasileiras e francesas em fase de aquisição da linguagem, e o objetivo das pesquisadoras é “identificar as premissas do humor e da ironia na produção de enunciados” daquela meninada e então elas perceberam que os mirins, mesmo pequenos, também podem produzir discurso irônico para fazer adultos e crianças rirem, e isso pode até acontecer, mas é muito raro que tanto um quanto outro cheguem a rir pelo mesmo motivo – o que seria um caso de diversão partilhada -, pois crianças e adultos possuem culturas humorísticas diferentes e a ironia (uma forma de humor) seria uma das formas de tentar aproximar estes estados de percepção.

sábado, 27 de maio de 2017

PEDRO BLOCH : UM PEQUENO FENÔMENO EDITORIAL

Concluindo meu  estágio pós doutoral, que nem foi propriamente  sobre o Pedro Bloch, mas sim sobre o seu trabalho com as crianças,  eu me impressiono com o fato de que não descobri exatamente quantos livros ele  publicou.Quando minha conta passou dos 90 volumes - dentre dicionários, séries de revistinhas, livros de bolso, publicações na área médica, dramaturgia, livros infanto juvenis,anedotários, etc- parei de contar e recortei os que realmente iam me interessar (no caso 13 volumes sobre humor de crianças). Mas ele foi mesmo um fenômeno editorial. Claro que ter uma editora da família ajudou muito na multiplicação de volumes, mas ele publicou em várias outras também (Ediouro,Brasiluso,Pró fono,Nórdica,Revinter,etc).
Um sujeito desses deve ser muito estudado, especialmente por ter vivido no Brasil,não acham? 

terça-feira, 23 de maio de 2017

ORALIDADE E PEDRO BLOCH




ORALIDADE E PEDRO BLOCH  
Em meu relatório final eu não devo  defender que o Pedro Bloch foi pesquisar e trabalhar com foniatria exclusivamente porque era judeu. Isso seria reducionista. Eu vejo o seu caso em um contexto maior: o século XX, a era do florescer dos estudos sobre a linguagem e a fala e o surgimento da própria Foniatria , que é uma área médica nascida na Alemanha em 1905 e que mais tarde foi trazida ao Brasil por pesquisadores como o  próprio Bloch na segunda metade do século XX, e que apostava em uma abordagem interdisciplinar para compreender e tratar distúrbios da fala. Bloch não era um teórico, ele era um judeu,  médico e também um cientista da área médica.
Por outro lado, como sou uma teórica, eu li (e pirei com isso) o Russel Jacoby e a a reflexão sobre a longa tradição judaica que propõe um elogio ao oral, tanto que Jacoby resgata o pensamento de Frtitz Mautner para defender, mais ou menos, que O JUDEU OUVE e ao que ouvir está pensando em história, porque "o ouvido não recebe uma mensagem apenas, ele registra a sequencia do tempo; o som requer duração". E Russel conclui: "o som inclui o tempo e o tempo implica a história" (A Imagem imperfeita, 2007, p. 203).
Eu não sei em que medida esse raciocínio interferiu nas ações de Bloch, mas também não posso afirmar que não esteve presente de nenhuma forma. Devo apontar essas questões, mas de forma leve, colocando mesmo como dúvida: Será que Bloch estudou a linguagem oral porque era judeu, ou porque era judeu foi estudar a oralidade? kkkk
No meio de tudo isso, tem as crianças e elas sempre apresentam outras apreensões para tudo, isso é o mais importante para mim!

domingo, 21 de maio de 2017

Entrevista de Pedro Bloch para a Revista Veja em out. de 1997


Quando escrevi meu projeto de pós-doutorado em janeiro de 2015 eu usei uma entrevista que o Pedro Bloch deu para a Revista Veja em 08 de outubro de 1997 e que a Óia disponibilizava em seu acervo na internet. Como a entrevista é bem legal, mostra o velho Bloch falando das amadas crianças, eu fui acessar o link de novo e não é que agora ele cai na página do Reinaldo Azevedo? Eca!

A sorte, mesmo é que eu tenho o print da entrevista e publico ele aqui porque, como foi útil para mim, pode ser para outros pesquisadores, né? Aliá, se for o caso, eu tenho ela transcrita em versão txt, é só me pedir que eu repasso!


sábado, 20 de maio de 2017

Frustrações de uma pesquisa sem fomento

Como sabem meu pós- doutorado não recebeu nunca nenhum fomento. A lista de frustrações por conta disso é imensa. No relatório final eu  apresento todas. Veja essa aqui.

terça-feira, 16 de maio de 2017

NOVAMENTE AS EX-CRIANÇAS DE PEDRO BLOCH

NOVAMENTE AS EX-CRIANÇAS DE PEDRO BLOCH - Acabo de constatar que nesses dois anos de pesquisa de pós doutorado, eu consegui reunir dez depoimentos sobre Bloch através das redes sociais, sendo nove de suas ex- crianças. Acabo de relatar que não consegui um número maior porque não foi possível visitar o Rio de Janeiro para procurá-las, nem mesmo tive financiamento de pesquisa para custear um chamado em jornais na cidade (ainda que tenha feito até um orçamento), afinal quem bancava a pesquisa sou eu mesma, ai tinha que escolher bem onde aplicar os recursos. De toda forma,esses depoimentos são muito interessantes, estou conseguindo desdobrá-los bem e, como eu queria, já dá ter uma noção mais clara não apenas de quem eram seus leitores (da revista, dos livros), e até mesmo como seria seu contato direto com as crianças. Me emociona demais! Eu devo ser uma grande sonhadora, isso sim! Novamente, sou muito grata a todo que ajudam a continuar a ser assim. 

Passagens, de Walter Benjamin


A obra historiográfica que me fez pirar desde o mestrado ... até hoje está de pé ao lado do computador para eu não esquecer nunca da fragmentação da narrativa (rs)
Aqui a referência completa do meu volume (com traduções e tudo mais):

BENJAMIN, Walter. Passagens. Trad. Irene Aron (alemão) e Cleonice Paes Barreto Mourão (francês). Belo Horizonte: Editora UFMG;São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
Sempre me perguntei : A narrativa constelacional da História de Benjamin poderia ser uma possibilidade de entrada na abordagem da narrativa humorística (também ela toda fracionada)? ... Não sei a resposta ainda, mas li um texto manuscrito de Benjamin chamado "Un historie comique à l'époque oú il n'y avait pas encore d'hommes" e o 'comique' aqui é mesmo HQ (este texto está publicado e no volume Les Cahiers de l'Herne - Walter Benjamin (2013) ... para quem pira na narrativa da história como eu : é demais! 
Voltando ao Passagens, cabe reforçar que esse material chega até nós em forma de um livro de 1166 páginas, mas não vamos esquecer que, originalmente, trata-se de um conjunto de MANUSCRITOS DE WALTER BENJAMIN... realmente eu não fui estudar os manuscritos de Rosa à toa, não ... é todo um oxigênio mental respirado no século XX. Sobre manuscritos, fragmentação e História, confiram meu artigo "A indagação da História nos manuscritos literários de Guimarães Rosa", publicado no vol 2 no. 2 da Revista Intelligere - História Intelectual ....

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Antonio Cândido e um almoço com 'declaração em juízo", de Drummond


UM ALMOÇO COM ANTONIO CÂNDIDO- Foi em junho de 2006, em um um evento em comemoração aos 50 anos da publicação de "Grande Sertão: Veredas" na FFLCH que eu e minha amiga Vera Maria Pereira Theodozio almoçamos com Antonio Cândido. Na verdade, falo isso, mas devo alertar que não foi um almoço marcado, nem mesmo pessoal, mas ele se sentou em nossa mesa na antiga lanchonete do Português do DH - o único lugar fora o bandejão, que servia comida na época e ele queria comer arroz com feijão. É verdade também que sua filha Marina me apresentou a ele: "Papai, esta é a Camila, ela foi aluna da Laura, estudou Saramago com ela", e ele se lembrou vagamente de que a Laura tinha mesmo comentado algo sobre Saramago com ele...
Era uma pessoa admirável, gostava de conversar e lembro com força de que,entre outras coisas, ele já lamentava que todos os seus amigos de geração estavam morrendo, o que o fazia se sentir muito solitário.
Então eu comentei que isso me fazia lembrar de "Declaração Em Juízo", de Drummond e ele apenas sorriu.
Cândido foi, é e sempre será nossa referência e, ainda que eu, em meus estudos literários, tenha enveredado por outros autores e tentado me manter há uma distância segura da sua teoria forte, nem sempre foi possível.
O que posso dizer nesta data de seu falecimento aos 98 anos é que só temos que agradecer por tudo, mas me lembrando daquele almoço, imagino o quão aliviado ele deve estar por não ser mais o único corpo de sua geração que sobreviveu. Mas em ideias, sobrevive e sobreviverá!
Muito obrigada, professor!

Pedro Bloch e a mudança na ideia de criança no século XX


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Visto de entrada da família Bloch no Brasil

Este documento está disponível no Arquivo Nacional e a reprodução compõe o livro "Seu Adolpho", de Felipe Pena. Rio de Janeiro : Ed Vermelho Caminho, 2010, p. 35.



Sua tradução, também na página 34 do livro citado, é

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Janusz Korczak, holocausto, crianças

Segundo a Enciclopédia do Holocausto, as criativas e alegres crianças eram consideradas "perigosas" e "indesejáveis", por isso quando não eram tomadas como escravas era defendido o seu assassinato em massa. 
Neste contexto terrível, porém, elas encontraram um de seus maiores aliados que foi o humanista Janusz Korczak, que idealizou a sua República das crianças no orfanato que dirigiu na Polônia, durante a Segunda Guerra. Se as crianças, por si só, já eram um perigo a ser controlado, imagine um educador humanista que as tutoriava. 
Hoje temos conhecimento do legado de  Korczak e saber da sua história, de alguma forma, me ajuda a compreender um pouco mais o ideário do imigrante ucraniano judeu Pedro Bloch e seu interesse afetuoso por crianças.

domingo, 30 de abril de 2017

domingo, 23 de abril de 2017

As Congadas invadem a Basílica de Aparecida para alegrar a semana de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário

Em 22 de abril de 2017 assisti as Congadas oriundas de todo o Brasil, mas mais fortes em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, adentrarem a Basílica de Aparecida para festejarem a Semana de São Benedito e Nossa Senhora de Rosário. Gosto muito de ver esses corpos e rostos, pertencentes a congadas de todo o Brasil, de todas as cores e idades nesse tributo a alegria!
Eu sei que esses vídeos de celular que eu gravo ficam horríveis e depois nem sei arrumar, mas não pude deixar de gravar só um pouquinho das congadas ontem. Claro que o celular não captou nem 1/10 daquele ritmo que convidava o corpo a se mover em plena basílica.
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segunda-feira, 17 de abril de 2017

sábado, 15 de abril de 2017

Resumo para congresso na UERJ

Gente, acabo de escrever o resumo da minha palestra sobre Pedro Bloch e as crianças na UERJ em agosto. É bem reduzido, mas na falara trarei de algumas anedotas infantis bem engraçadas, poque rir é muito bom. <3 span=""> O que acham?
Título: Anedotários infantis de Pedro Bloch: graciosas narrativas reveladoras da percepção da criança
Palavras-chave: Criança, Humor, Pedro Bloch
Resumo: Na segunda metade do século XX, o médico foniatra, jornalista e escritor Pedro Bloch (1914 -2004), manteve uma seção humorística contando historinhas de criança nas revistas Manchete e Pais & Filhos, que depois transformou em livros, os seus anedotários infantis.Além de conversar com seus pequenos pacientes no consultório para escrever textos, Bloch incentivava seus leitores e conhecidos adultos a ouvir a meninada, pois assim experimentariam o contato revelador como aquela peculiar percepção do mundo, que é o que ele procurava expor em suas anedotas. É sobre este projeto de inserção da criança no diálogo cultural e suas consequências para a escrita de uma nova História dessas crianças que tratarei nesta fala.